A hérnia inguinal é mais comum do que muitos imaginam. Ocorre quando uma parte do intestino ou tecido adiposo ultrapassa uma área enfraquecida da parede abdominal, formando uma saliência incômoda na região da virilha. Além do desconforto e da dor, o problema pode trazer riscos maiores, como o encarceramento ou o estrangulamento da hérnia, motivo pelo qual merece atenção.
Homens, especialmente a partir dos 40 anos, são os mais afetados. No entanto, fatores como obesidade, histórico familiar, esforços repetitivos, tosse crônica e até o enfraquecimento natural da musculatura abdominal com o passar dos anos aumentam consideravelmente as chances de o problema se manifestar.
E o que fazer quando o diagnóstico chega? Antes da cirurgia, a palavra-chave é cautela. Exercícios que elevam bruscamente a pressão abdominal, como agachamentos pesados e levantamentos terra, devem ser evitados. O ideal é apostar em caminhadas leves, bicicleta ergométrica, alongamentos e exercícios respiratórios, que mantêm o corpo ativo sem sobrecarregar a região.
O tratamento definitivo é sempre cirúrgico, geralmente com a colocação de uma tela para reforçar a parede abdominal. Embora seja considerado um procedimento simples, a recuperação exige disciplina e paciência. Nas duas primeiras semanas, o foco é o repouso relativo, mas já é possível caminhar para estimular a circulação. Entre a terceira e a quarta semana, atividades aeróbicas leves podem ser retomadas, e exercícios de braços e pernas com cargas mínimas começam a ser introduzidos na rotina. Da quarta à sexta semana, a musculação leve para membros superiores e inferiores já se torna uma opção, desde que não haja impacto ou carga elevada. A partir da sexta ou oitava semana, dependendo da liberação médica, os exercícios de força podem ganhar mais intensidade, com atenção especial ao fortalecimento do core.
Fortalecer o abdômen profundo e os estabilizadores da coluna é decisivo para evitar recidivas. Exercícios como prancha, ponte de glúteos, dead bug e respiração diafragmática ajudam a proteger a parede abdominal, melhorar a postura e distribuir melhor as cargas durante os movimentos.
Além disso, cuidar do corpo no dia a dia faz parte do processo: evitar carregar peso excessivo nas primeiras semanas, manter uma boa postura e controlar o peso corporal são atitudes que reduzem o risco de novas hérnias e aceleram a recuperação.
A mensagem é clara: não é o sedentarismo que vai proteger você, e sim o movimento realizado da forma correta. Com acompanhamento médico e orientação de um profissional de educação física, é possível se recuperar, voltar à rotina de treinos e ainda se prevenir de futuros problemas.
Cuide do seu corpo hoje, porque ele será seu suporte amanhã.
No próximo sábado volto com mais dicas para ajudar você a treinar com inteligência, segurança e constância.
Rogério Carvalho é Educador Físico e Personal Trainer.E-mail: rogerio_cagin@hotmail.com Instagram: rogeriocarvalho.personal
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